sexta-feira, 31 de julho de 2015

Mesmo Se Nada Der Certo, um dos filmes mais surpreendentes dos últimos anos




Provavelmente, você já viu filmes musicais. Com certeza, já viu muitos filmes que se passam em Nova York. O que você ainda não viu é um bom filme sobre a indústria fonográfica que mistura amor à música com os desprazeres e problemas dessa vida mundana, repleta de planos que dão errado, mas que também conta com alguns bem sucedidos. “Mesmo Se Nada Der Certo” (2014), roteirizado e dirigido por John Carney, é aquele filme que, à primeira vista, parece ser mais um clichê norte-americano. Seu elenco traz artistas de renome e a trilha sonora é de fato muito boa – Lost Stars até mesmo recebeu indicação ao Oscar 2015 de melhor canção original. Você então considera deixar de assisti-lo pela simples sensação de que já vira outras tantas produções exatamente iguais a essa. Na verdade, não o deixe de lado. Esse é um dos filmes mais surpreendentes –  no bom sentido – dos últimos tempos.


Keira Knightley e Mark Ruffalo interpretam os protagonistas que encantam o público ao longo dos 104 minutos dessa história. Ao se mudar para a Big Apple para morar com o namorado pop star, interpretado por Adam Levine, Gretta (Keira Knightley) tinha sonhos, energia e positividade. O relacionamento, contudo, não foi para frente e ela se viu sozinha em um lugar estranho. Nessas horas, fez o que boa parte das pessoas faria: buscou refúgio na casa de um dos seus melhores amigos. Numa noite, em um bar, ele a convida a tocar uma de suas músicas para a plateia. Dan (Mark Ruffalo), um produtor de música que naquele mesmo dia havia sido demitido, a ouve cantar e, como num passe de mágica, enxerga todo o potencial da desconhecida artista.

Os dois começam, então, a trabalharem juntos na produção de um CD com as músicas  compostas por Gretta. Sem grandes recursos, contam com a ajuda dos amigos e de artistas dispostos a fazerem boa música, gravando em tudo que é lugar de Manhattan. Dan não apenas resgata, pouco a pouco, seu profissionalismo, como também restabelece os laços com sua filha adolescente e sua ex-mulher, além de desenvolver um forte vínculo de amizade com Gretta.

Corações partidos, dramas adolescentes e paisagens nova-iorquinas. O filme traz tudo isso, mas vai muito além. Apresenta ainda as mudanças quanto à forma de se produzir e consumir música. Qual é o papel das grandes gravadoras no contexto atual, em que basta uma pessoa influente nas redes sociais para dar reconhecimento a um bom artista desconhecido? O que é preciso para alcançar o sucesso? E como superar os baques que a vida dá sem dispor de um botão de pause no display? Ora, mesmo se nada der certo, ainda podemos levar o momento adiante ouvindo uma boa música. Em alguma hora, a vida troca de disco e podemos começar tudo de novo.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Por que eu sou Charlie

Feito por Lucille Clerc

Na manhã desta quinta-feira, 15 de janeiro, o jornal francês "La Voix du Nord" publicou uma matéria sobre as vendas do primeiro exemplar do Charlie Hebdo após os ataques na semana passada na redação onde era produzido, em Paris, resultando na morte de 12 pessoas por terroristas. Me chamou atenção o fato do aumento das tiragens devido à repercussão que esse caso tomou internacionalmente.

Separei o seguinte trecho que fala do sucesso das vendas em Lille, no norte da França, cidade em que morei por seis meses e, portanto, gosto de acompanhar as notícias referentes a ela. (A tradução está abaixo).

"A Lille par exemple, le Furet du Nord devrait en recevoir une centaine ce mercredi, et 500 exemplaires supplémentaires dès jeudi. A 8 heures déjà, de nombreuses personnes attendaient devant le magasin... qui ouvre à 9h30. Gare Lille-Europe, le Relay qui ouvre à 6h30, n’avait plus d’exemplaires à 6h35. Les clients déçus du Furet du Nord se sont ensuite rendus à la Fnac, où plusieurs dizaines de personnes faisaient également déjà la queue. Au final, ce sont près de deux cents personnes qui attendaient l’ouverture du magasin, à 10 heures, alors qu’il n’y avait que 22 exemplaires disponibles. Dès jeudi, la Fnac de Lille disposera de 200 exemplaires." La Voix du Nord


Tradução:

Em Lille, por exemplo, a livraria Furet du Nord deveria receber cem exemplares nesta quarta-feira, e 500 suplementares na quinta. Já às 8h, muitas pessoas aguardavam em frente à loja, que abre as portas às 9h30. A loja de revistas Relay, na estação de trem Lille-Europe, que abre às 6h30, os exemplares esgotaram-se às 6h35. Os clientes decepcionados da Furet du Nord se renderem à Fnac, onde várias dezenas de pessoas faziam igualmente uma fila. No final das contas, aproximadamente 200 pessoas aguardavam a abertura da loja, às 10h, sendo que havia apenas 22 exemplares. Na quinta-feira, a Fnac de Lille disponibilizará 200.

Ou seja, o atentado só aumentou a popularidade do jornal. Isso mostra que a atitude de tentar impor respeito saiu pela culatra. Respeito é algo a ser conquistado. Eu sou Charlie não porque acho as charges engraçadas ou apropriadas, mas porque os cartunistas estavam no direito deles de desenharem o que eles quisessem. Se passaram do limite ético ou não, é outra história. Antes, a tiragem era de 60 mil. O último exemplar teve tiragem de milhões de cópias, inclusive em outros idiomas. 

Só espero que, com o tempo, sejamos capazes de respeitar nossos limites. Acredito que seja importante também respeitar a liberdade do outro. 

Se alguém te ofende, o que você faz? Ofende de volta? Mata? Se revolta? 

Eu vi algumas charges fazendo piada com a minha religião. Vi e não perdi minha fé, continuo  sendo quem sou. Minha integridade firme e forte. Mas sei que quem as desenhou é diferente e se eles acham engraçado é opinião deles. Se não pudessem publicá-las provavelmente continuariam fazendo piadas entre si e trocando os desenhos entre si e continuando a ser quem eles são. 

Quando vejo uma frase do tipo: "Nada justifica o ataque, mas...", ou "Apesar de nada justificar o ataque,...", me sinto mal... Ao invés disso, eu digo: nada justifica o ataque (ponto). 

Quanto às outras formas de violência, também acho que mereçam atenção da mídia. A falta de informações sobre o grupo Boko Haram na África me incomoda. O que estão fazendo para contê-los? Como eles conseguiram matar cerca de duas mil pessoas na Nigéria? Como não somos bombardeados por notícias sobre isso da mesma forma que outros temas? Provável haver mais notícias sobre os novos participantes do BBB compartilhadas no Facebook do que sobre esse caso da Nigéria (dentre tantas outras coisas). 

Enfim, há muito o que ser melhorado na mídia. Mas não é tirando a voz de uns que isso vá resolver, mas dando voz ao que realmente precisa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Bagagem repleta de novas experiências

Tive a ideia pra esse post enquanto estava no metrô vindo pra faculdade. Sabe, às vezes a inspiração vem quando a gente menos espera. E por isso é tão boa a sensação. Tudo começou na verdade por causa da minha nova mochila de rodinhas. Ela parece uma malinha então, muito merecidamente, ficam me zoando tanto no estágio quanto na faculdade pra eu correr pro aeroporto e não perder o voo. Me desejam boa viagem e essas coisas. Normal. Até que me veio o pensamento de que, na verdade, a vida é de fato uma viagem. E constante. Rumo à alguma coisa. Nem sempre sabemos pra onde vamos, mas sabemos que o movimento existe.


Notei que esse "movimento" é o tempo. A saudade que sinto de Lille, na verdade não é nem do lugar propriamente dito, mas sim da experiência, da vivência, do contexto do intercâmbio. Tenho vontade sim de voltar à cidade algum dia. Mas sei que não será o mesmo. Quando eu voltar em Lille, não será a mesma cidade porque ela terá mudado, e eu também. Além das mudanças mais perceptíveis, tudo será alterado pelo mesmo fator comum: o tempo. A circunstância não será mais a mesma, então embora eu volte lá, não poderei recuperar o que passou.

A mesma coisa acontece em situações rotineiras, como quando assistimos tantas vezes a um filme que enjoamos dele, ou ouvimos uma mesma música zilhões de vezes e o mesmo acontece. Qualquer coisa com a qual nos habituamos pode vir a perder seu encanto. O tempo traz pegadinhas. O que é novo pode se tornar velho e o que era velho pode se tornar novo, quando envelhecemos.

O fato é que estamos viajando rumo a um futuro desconhecido. A gente até faz planos, mas nem sempre a vida oferece as condições necessárias para que se realizem. Temos sonhos, vontades, ideias da onde queremos chegar. Nem sempre temos um objetivo definido, pois em vários casos permitimos que a vida nos leve, como um barco no oceano que se deixa guiar pela direção do vento. Afinal, contratempos acontecem. E oportunidades também. Cabe a nós tomar as devidas escolhas.

Daqui a uns anos, quando eu lembrar deste momento da minha vida, vou sentir saudade. Então é importante aproveitar a viagem, o percurso que me levará até onde quero chegar. Por favor, não pense que me refiro a apenas um objetivo. Muito pelo contrário. A vida não é tão simples. Não existe um plano apenas. São vários, uma infinidade deles! Ao chegar a um ponto, logo vem outro! E as conquistas se misturam, de modo que posso me sentir triste e feliz ao mesmo tempo. Por exemplo, amo minha vida como ela é agora, mas morro de saudades do Lucas, que está na Alemanha fazendo intercâmbio. É verdade que quero encontrá-lo logo, mas isso não me impede de vivenciar tudo que tenho de bom até que isso aconteça. O mesmo vale pra ele. Quando voltar, com certeza vai sentir muitas saudades de tudo que viveu, mas aí aquela viagem já terá passado. E novas histórias virão. Será um novo caminho a ser seguido com todos os aprendizados obtidos, com a bagagem repleta de novos conhecimentos e experiências. Pois, afinal, a vida é uma viagem. Rumo à alguma coisa. Rumo a nós próprios. Rumo a saudade que vamos sentir amanhã.

domingo, 24 de agosto de 2014

É só um até logo - em memória à Lea Madureira Queiroga


Você provavelmente já viu várias postagens minhas no Facebook e no Instagram sobre a campanha do desafio do balde de gelo para arrecadação de fundos em busca da cura para a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Também já leu que minha vó enfrentou essa terrível doença. Mas o que não contei é o que senti, pensei e lembro sobre os 10 anos de privilégio que pude conviver com uma das pessoas mais incríveis, amorosas e gentis que conheci: Lea Madureira Queiroga. 

Associo a história da minha avó à da Cinderela. Os fatos principais são os mesmos. Quando vovó tinha apenas dois anos, sua mãe faleceu. Poucos anos depois, meu bisavô casou de novo. Vovó contou que cursou até a terceira série e que fazia os trabalhos domésticos em casa, lavando louça, limpando a casa, etc. A infância teve suas partes tristes, mas ainda assim ela me contava momentos divertidos e também de oração, como quando rezava escondida a "Ave Maria". Não me lembro direito o porquê de fazer escondido. 



 "Ainda que Cinderela e seu príncipe
tenham vivido felizes para sempre, 
o ponto, senhores, é que eles viveram!" 
- Para Sempre Cinderela

Meu avô, que na minha visão, é o príncipe da história, veio para o Brasil quando tinha 14 anos. Eu vi fotos dele antigas, e posso dizer: era bem forte e bonitão. Sempre achei seus olhos azuis lindos demais. Eles se conheceram, se apaixonaram, e vovô Zé então salvou a princesa. Vovó tinha 17 anos quando se casou. 
 
A vida era difícil, mas criaram seus três filhos com muito amor. Primeiro veio Zequinha, depois Luis, e por último, minha mãe, Lourdes. 

Infelizmente eu não sei muito bem como as vidas deles se desenrolaram nas décadas de 60 até 90. Lembro da história de que eles viajaram pra Portugal pra visitar a família de vovô, e que se arrumaram muito pra viagem de avião. Acho engraçado porque, hoje em dia, quando viajo, procuro a roupa mais confortável que existe, ainda mais para viagens longas. Mas entendo o pensamento deles ao quererem estar bem vestidos. Queria tê-los visto animados pra vigem!

Ah, é! Teve a situação em que vovó teve que operar a tireoide! Isso foi por volta nos anos 80. Minha existência está baseada nesse acontecimento. Não acredito que quase esqueci de contar isso!! 

Meu pai tinha se formado em Medicina fazia pouco tempo. Ele então ficou de cuidar de vovó no hospital. Não sei ao certo a função dele nessa situação, mas o importante é que, em um dia de visita no hospital, mamãe o conheceu. Vovó gostou dele logo de cara, e de alguma forma, ele ficou de ir à casa delas pra ver um jogo do Flamengo - mesmo papai sendo botafoguense.

Anos depois, eu nasci. :)

Assim, de 1991 até 2002, a minha vida ficou marcada pela convivência com vovó. Lembro de ela trazer mamadeira pra mim, de me dar chupetas, de me levar na escola, na fonoaudióloga e no ballet. Lembro do dia em que fui pra escola e assim que cheguei lá passei mal e ela me levou de volta pra casa e cuidou de mim. Lembro de quando estávamos andando na rua e vi um pipoqueiro no chão após um atropelamento. Tinha sangue e pipoca pra tudo que é lado. Lembro que fiquei muito triste e chorei. Lembro do dia que tio Zequinha ligou lá pra casa, disse que eu havia ganhado na loteria, e eu e vovó morremos de rir da brincadeira. 

Lembro de assistir a fita do filme "A Princesinha" várias e várias vezes. A história é muito bonita e gosto muito da parte na qual a personagem principal diz que todas nós somos princesas. Percebi então que eu já via vovó como uma princesa. E essa afirmação tornou-se ainda mais verdadeira. 


"Eu sou uma princesa. Todas as meninas são. 
Mesmo que elas vivam em sótãos velhos. 
Mesmo que se vistam em trapos, mesmo que não sejam bonitas, 
inteligentes, ou jovens. Elas ainda são princesas"
- A Princesinha

Vovó sempre assistia comigo e nunca reclamava de ver o mesmo filme. Lembro também de assistirmos "A Bela e a Fera", "A Pequena Sereia", e um programa na TV de um cientista engraçado, dentre um monte de outros filmes. Lembro de andarmos de barca e passearmos no centro do Rio. Lembro das vezes que ela comprou brinquedos pra mim, tipo o urso a quem dei o nome de José, e lembro que ela me disse que os brinquedos realmente ganhavam vida quando nos afastávamos. Eu acreditei por um tempo! :P

 Até que chegou a doença. E muita coisa mudou. Vovó, com mais ou menos 57 anos, foi diagnosticada com ELA. No início, eu com 5, não sabia nada sobre isso. Ela ainda me levava para a escola, mas tinha uma mão que não era muito boa. Eu dizia que não queria segurar a "mão ruim", e só segurava a "mão boa" dela. Lembro do dia quando ela subiu na escada pra pegar algo na prateleira e caiu.

Um dia, na volta da escola, fomos para a casa dela e de vovô. Tinha piscina no terraço e eu estava animada. Mas, enquanto estávamos lá, ela não se sentiu bem. Então, saímos e fomos pra dentro. Levei vovó até a cama dela e lá ficou deitada até mamãe chegar. Eu lembro de ter ficado preocupada. 

Chegou a hora de usar bengala. Mamãe e vovô resolveram que era hora de fazer uma mudança. Meus avós vieram, assim, morar perto da gente. A poucas quadras daqui de casa, era o novo apartamento deles. Adeus para a casa do Barreto com piscina, adeus crianças com quem brincava, adeus homem que vendia cuscuz na rua. Foi necessário. Um tempo depois, chegou a hora do andador.

Como vovó sempre gostou de desenhar, foi muito triste ver seus braços perderem o movimento. Ela pintava paisagens e eu admirava seu talento. Gostava das árvores, rios e montanhas que ela fazia. Gostava das toalhas que ela pintava pra mim. Levava pra escola e dizia: "minha vó que fez". Embora com o tempo ela não dominasse com precisão suas mãos, pintava sabonetes, pratos, pedras, e a arte continuava presente. Lembro da vez que ela pintou tantos sabonetes que a mesa de jantar ficou sem espaço livre. Estava coberta por eles. Um mais bonito que o outro. 


Stephen Hawking
O problema é que a doença não parava de avançar. Mais grandinha, eu sabia que se tratava da esclerose lateral amiotrófica, e já conhecia o cientista Stephen Hawking. Já que ele ficou tanto tempo com a doença (e ainda está), imaginava que vovó também pudesse aguentar e ir levando. Mamãe me contou que não havia cura e que os médicos diziam que o tempo médio de vida com a doença era de dois anos, mas isso não me impediu de rezar todas as noites para Deus fazê-la melhorar.

Vovó precisou andar de cadeira de rodas. As coisas ficaram ainda mais difíceis. Eu e mamãe passamos a dormir todos os sábados na casa deles, para ajudar vovô Zé. Eu na verdade me divertia. Adorava passar tempo com vovó. Ela era muito alegre, divertida, e gostávamos de assistir "Zorra Total" no sábado. Tínhamos em comum amar ver filmes. Ela tinha várias fitas, mas costumávamos também assistir filmes alugados. Lembro quando ela me deu de aniversário um filme dos "101 dálmatas". Era tipo uma continuação. Gostei bastante! Víamos também "Mudança de hábito" e ríamos demais!! 

Mudança de Hábito
Um laço muito importante que unia a gente era o amor pelo Natal, nossa época do ano favorita. Lembro dos anjinhos que ela fazia de enfeite, enquanto a arrumação do presépio ficava sob a responsabilidade de vovô. Sempre que chega o final do ano, sinto uma enorme alegria, o espírito de Natal, que ela também sentia. 

No domingo, na hora de me despedir de vovó, encontrava cinco reais entre sua mão direita e a almofada que segurava seu braço, ela já sentada no quarto da TV, onde eu e mamãe dormíamos. Eu ficava feliz porque tinha um dinheiro a mais pra comprar lanches e doces na escola durante a semana. 

Um desses sábados, foi dia de festa junina no Santuário das Almas, uma igreja na mesma rua do prédio deles. Depois da festa, fomos pra lá. Estava toda boba com os brindes que ganhei. Vovó ficou rindo ao me ver brincar. 

Na semana seguinte, cheguei a pensar em ir à casa dela, mas fiquei com preguiça. Pensei que logo a veria no sábado. A semana passa rápido mesmo. 

Só que na sexta-feira vovó ficou nervosa demais por não conseguir falar e sofreu um infarto. Foi levada pro hospital. No domingo à noite, depois da missa, mamãe recebeu a notícia e me contou que ela havia falecido. Eu nunca senti uma dor tão grande na minha vida. Não me despedi direito dela. Apenas dei um até logo, imaginando que a veria novamente na próxima semana. 

Tenho lindas lembranças dela. Em todas ela sorria. 

  
"Eu acredito que você seja,
e sempre será, minha princesinha"
- A Princesinha

Recentemente, a doença ficou famosa como jamais imaginei. Nunca vi tanta repercussão sobre a ELA. O impacto que isso teve sobre mim foi muito forte. Eu espero muito que as pesquisas avancem e que uma cura seja encontrada. Não quero mais que ninguém sofra por causa dessa doença. Na verdade, não quero que ninguém sofra por coisa alguma. Assim, é importante estar em constante oração, porque, mesmo que nossa vida esteja indo bem em um dado momento, a vida de outra pessoa pode estar passando por uma tempestade.

A saudade é permanente, mas ao mesmo tempo, fico aliviada por ela não estar mais sentindo dor ou sofrendo. Vovó e vovô tiveram partes da vida muito tristes, mas o amor que sentiam um pelo outro foi o mais puro que já vi. Creio na vida eterna. Agora eles estão descansando, e nós que ficamos, ao menos tenhamos esperança, e saibamos viver com sabedoria em cada momento da vida. No final das contas, é só um até logo. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

1º mês em casa - dizendo adeus ao intercâmbio

Saudade é o que eu sinto pelo melhor semestre da minha vida!
 Depois do meu primeiro mês em Lille, eu escrevi o que eu sentia, o que eu pensava sobre a cidade, e sobre o fim de semana da minha viagem a Paris, para conhecer as pessoas da Comunidade de Sant'Egidio.

Agora, é o contrário. Voltei no mês passado, no dia 30 de junho. Foi incrível ver a minha família e amigos de novo, mas eu mudei. Às vezes, eu estranho comportamentos, mas eu esperava que isso acontecesse.
 

Sabe, eu fiz uma disciplina muito interessante na IÉSEG, chamada "Comunicação Intercultural". De todos os temas - eu posso escrever sobre eles mais tarde -, o que eu quero destacar é o choque cultural.

Semana de orientação: como tudo começou

No texto que o professor nos deu, diz assim: "O termo do choque cultural foi cunhado para descrever um tipo específico de reação que pode ocorrer quando as pessoas viajam para o estrangeiro ou confrontam modos de vida substancialmente diferentes dos seus."

As fases de quando entramos em contato com outra cultura podem ser representadas pela curva-w:


   
Antes dessa aula, eu pensei que tudo seria perfeito depois de voltar. No entanto, acabou por ser um choque cultural reverso, como a teoria diz que deve acontecer.

Tudo muda: literalmente
No início, quando eu voltei, tudo foi perfeito, incrível, maravilhoso! Exatamente o que eu pensei de Lille, no meu primeiro mês lá. Com o tempo, eu senti bastante falta do modo de vida com o qual eu me acostumei. É meio estranho que, em junho, tudo o que eu queria era estar aqui novamente, mas agora que eu estou, eu sinto falta (mais do que eu poderia imaginar), da linda cidade fria no norte da França.

Acho que na próxima semana vou me sentir melhor. Vou ter aulas e mais coisas pra fazer. Voltar não significou que eu continuaria sendo a mesma, porque as coisas não são as mesmas. Eu realmente sinto falta do Lucas, e ficar sem ele é uma grande mudança na minha vida. Eu não estou solteira, mas também não tenho a sua companhia.


Sinto falta da estação de metrô perto do Concordia
 
De qualquer forma, estou feliz que eu aprendi que as culturas podem ser diferentes sem que uma seja melhor que a outra. Percebi que nem todas as coisas são perfeitas na França, Itália ou Espanha. O problema é que nós, brasileiros, reclamamos muito sobre o nosso país. Quando na verdade, temos muitas qualidades pra se orgulhar!

Assim, agora estou mais feliz do que nunca por onde moro, e mais ainda tendo a consciência da sua realidade e dos seus problemas.

Talvez eu esteja vivendo, ao mesmo tempo, a fase da euforia, com o choque da volta, ou podemos apenas dizer que, basicamente, estou tendo uma crise.


Sinto falta da chuva
Na verdade, isso não importa, porque eu sei que vou me recuperar pouco a pouco. No último mês, eu estive feliz em sair com a minha mãe, com minhas melhores amigas, meus primos e meus amigos da Comunidade.

Ah, e eu não poderia esquecer: eu estou tocando vioão novamente. Até mesmo escrevi duas músicas desde que voltei! \o/
 

Mas, ainda não fui à praia. Na verdade, estou sentindo frio, mesmo depois de todo esse tempo em Lille, um lugar muito mais frio do que aqui! Acontece que 21ºC não é tão quente como eu pensava que fosse.

Sinto falta da Grand Place em Lille
A melhor parte de toda a experiência do intercâmbio é que eu tenho lembranças maravilhosas e fiz amizades incríveis, com as quais posso manter contato. Foi um sonho que se tornou realidade. Tenho orgulho de dizer que eu tive o melhor momento da minha vida. Este semestre foi o melhor de sempre, e valeu a pena!

A vida continua ... Estou à procura de um estágio, estou mudando meus hábitos alimentares e eu sei que, em um curto período de tempo, as coisas vão estar em seu devido lugar. Eu vou ficar bem!


Sinto falta de cada um de vocês!

1st month at home - saying goodbye to the exchange experience

Saudade is what I feel for the greatest semester of my life!

After my first month in Lille, I wrote how I felt, what I thought about the city, and about the weekend of my trip to Paris, to know the people of the Community of Sant'Egidio.

Now, it's the opposite. I came back last month, on June 30th. It was awesome to see my family and friends again, but I changed. Sometimes, I strange behaviors, but I expected this to happen.

You see, I studied a very interesting subject at IÉSEG, called "Intercultural Communication". From all the topics - I can write about them later -, the one that I want to point out is the culture shock.

Orientation week: how everything started
In the paper that the professor gave to us, it says: "The term culture shock was coined to describe a specific type of reaction that can occur when people travel abroad or confront ways of life substantially different from their own."

The stages of acculturation can be represented by the w-curve:



Before this class, I thought that everything would be perfect after coming back. However, it turned out to be a reverse culture shock, as the theory says it's suppose to happen.

Literally
At first, when I came back, everything was perfect, incredible, awesome! Exactly what I thought of Lille, in my first month. With time, I missed a lot the way of life that I got used to. It's sort of strange that in June all I wanted was to be here again, but now that I am, I miss (more than I could possibly imagine), that beautiful and cold city in the north of France.

I guess next week I'll feel better. I'll have classes and more things to do. Coming back didn't mean that I continued being the same, because things aren't the same. I really miss Lucas, and being without him is a big change in my life. I'm not single, but I also don't have his company.

I miss the metro station near Concordia
Anyway, I'm glad that I learned that cultures can be different without one being better than the other. I realised that not all things are perfect in France, Italy, or Spain. The thing is, we (Brazilians) complain a lot about our country. Actually, we have plenty of qualities to be proud of! 

So now I'm happier than ever for where I live, and even more for being conscious about the reality and the problems.

Maybe I'm living at the same time the honeymoon phase, combined with the reentry shock, or we could just say that basically I'm having a crisis.

I miss the rain
In fact, it doesn't matter, because I know I'll recover myself little by little. In the past month, I've been happy to go out with my mom, my best friends, my cousins and my friends from the Community.

Oh, and I couldn't forget: I'm playing guitar again. I've even written a couple of songs since I came back! \o/

I still haven't gone to the beach, though. I'm actually feeling cold, even after all that time in Lille, a place much colder than here! It turns out that 21ºC isn't as hot as I thought it was.

I miss the Grand Place in Lille
The best thing about all the exchange experience is that I have wonderful memories and I made incredible friends who I can keep in touch with. It was a dream that came true. I'm proud to say that I've had the time of my life. This semester was the best ever, and it was worth it!

Life goes on... I'm looking for an intership, I'm changing my eating habits, and I know that in a short period of time, things will be in their right place. I'll be ok!
 
I miss each and everyone of you!

sábado, 19 de julho de 2014

Porque a infância nos anos 90 foi a melhor

Hoje me senti brutalmente nostálgica da minha infância e dos anos que ficaram para trás, esquecidos nos disquetes e aparelhos VHS - os anos 90.

Por isso, resolvi reunir aqui uma série de maravilhas presentes nas vidas das crianças dos anos 90!

Vamos lá!

1. Essa mola colorida

Admita: você amava isso
















2. Sabrina, aprendiz de feiticeira

Um dos melhores programas da Nick




















3. Esses prendedores de cabelo

Como gostava disso, não bastava ter uma


















4. Tamagotchi

Só de ter pesquisado essa foto no google, me deu vontade de comprar um
















5. Fofolete

Como não amar??? Queria todas!!
 












6. Power Rangers

Eu sou a rosa!!!
 












7. Mamonas Assassinas

Miiina, seus cabeeelo é da hoora!!
















8. Doces na saída da escola

Época em que minha vó me buscava na escola













9. Cavaleiros do Zodíaco

Tem tanto tempo que via isso, que nem me lembro da história
 















10. A seleção brasileira de 94!

Primeira Copa da minha vida! Achei que seria sempre assim!